A crescente valorização dos espaços externos no design residencial reflete uma mudança profunda no modo como as pessoas pensam o próprio lar. Daugliesi Giacomasi Souza, à frente da DGdecor, pondera que varandas, terraços e jardins deixaram de ser áreas residuais do projeto arquitetônico e passaram a ser tratados como ambientes com identidade própria, capazes de ampliar o conforto da casa, estender sua área útil e criar novas possibilidades de convívio e bem-estar para quem os habita.
A varanda como ambiente de transição entre o interior e o exterior
A varanda ocupa uma posição singular dentro do projeto residencial: é ao mesmo tempo parte da casa e ponto de contato com o mundo exterior. Quando bem projetada, funciona como uma zona de descompressão, um espaço de pausa entre o movimento da rua e o recolhimento do interior. Na interpretação de Daugliesi Giacomasi Souza, essa condição de transição é o que torna a varanda um dos ambientes mais ricos do ponto de vista da experiência dos usuários, já que permite o contato com a luz natural, a ventilação e os estímulos do exterior sem abrir mão do conforto e da privacidade do lar.
O planejamento de uma varanda precisa considerar sua orientação solar, o regime de ventos e a privacidade em relação aos vizinhos antes de qualquer decisão de decoração. Esses condicionantes definem quais materiais são mais adequados, quais plantas se adaptam melhor ao microclima do espaço e qual tipo de cobertura ou sombreamento é necessário para tornar o ambiente confortável ao longo do dia e das diferentes estações do ano.
Mobiliário externo e a coerência com a linguagem decorativa do interior
A escolha do mobiliário externo é um dos pontos mais sensíveis no projeto de varandas e jardins, porque precisa equilibrar durabilidade, resistência às intempéries e coerência estética com o interior da casa. Daugliesi Giacomasi Souza indica que a identidade visual construída ao longo do projeto interno deve se prolongar para o espaço externo sem ser copiada literalmente: o que se busca é uma continuidade de linguagem, não uma repetição de elementos. Materiais como madeira tratada, alumínio, fibra sintética e pedras naturais respondem bem às demandas climáticas e, ao mesmo tempo, dialogam com acabamentos internos mais refinados.

Acrescenta-se a isso a importância dos têxteis externos, como almofadas, tapetes de fibra natural e cortinas de tecido náutico, que humanizam o espaço e criam a sensação de acolhimento característica dos ambientes internos. Quando bem selecionados e mantidos, esses elementos transformam uma varanda em uma sala de estar ao ar livre, com o mesmo nível de conforto e personalidade de qualquer cômodo interno da casa.
Plantas, jardins verticais e a biofilia nos espaços externos residenciais
A presença de vegetação em varandas e jardins vai além da dimensão estética: é uma estratégia de bem-estar com efeitos documentados sobre o humor, o nível de estresse e a qualidade do ar dos ambientes. Daugliesi Giacomasi Souza nota que o crescimento dos jardins verticais e das hortas urbanas em espaços compactos reflete uma demanda genuína por reconexão com a natureza dentro do contexto urbano, onde o espaço disponível para área verde é frequentemente limitado pela tipologia construtiva dos edifícios.
A seleção das espécies precisa considerar a disponibilidade de luz, a resistência ao calor e ao vento e o nível de manutenção que o morador pode oferecer. Plantas de baixa manutenção, como suculentas, samambaias e bromélias, são opções versáteis que se adaptam a diferentes condições de varanda. Jardins verticais com espécies de folhagem densa criam privacidade, reduzem o calor por evapotranspiração e adicionam textura e profundidade visual ao espaço externo.
Iluminação externa e o prolongamento do uso da varanda após o pôr do sol
Uma varanda bem iluminada dobra seu tempo de uso ao longo do dia. A iluminação externa precisa criar atmosfera sem comprometer a segurança e a funcionalidade do espaço, o que exige o mesmo raciocínio de camadas aplicado aos ambientes internos: luz geral para circulação e uso funcional, luz de destaque para valorizar elementos vegetais ou arquitetônicos e luz de atmosfera para os momentos de convívio noturno. Daugliesi Giacomasi Souza reforça que fitas de LED embutidas em decks, luminárias de chão entre plantas e pendentes sobre a mesa de refeições externas são recursos acessíveis que transformam a experiência do espaço após o anoitecer.
O que se pode concluir é que varandas e jardins projetados com intenção são ativos de qualidade de vida que valorizam o imóvel, ampliam a área habitável e criam novas dimensões de conforto e convívio para os moradores. Daugliesi Giacomasi Souza percebe nessa expansão do olhar do design de interiores para os espaços externos um dos movimentos mais significativos do setor nos últimos anos.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez